Intervalos

Não sou de ver novela, mas assisti essa que acabou das nove. Aquela cena que a noiva desiste de casar e troca de lugar com a irmã, que é a que ama verdadeiramente o noivo. Assisti. Por três vezes. E por mais que seja uma ficção, me fez pensar. Pensar sobre amor e possibilidades. Pensar sobre existências. Sentidos das coisas. Rumo.

Por mais que no amor desejemos evitar os desgastes, não dá pra fingir ser a pessoa mais feliz do mundo sem sentir isso de fato. Nada está perdido. O namoro, noivado ou rolinho não é uma porcaria. Até porque não é sensato ficar junto querendo partir, não é sensato ficar junto e ficar junto com mais gente, quem está é porque um pouco de esperança ainda tem, penso eu. A gente não consegue ser feliz sem se misturar no outro, sem dar um pouquinho de nós também. E de nós, daqueles de marinheiro. E também não consegue se relacionar sendo estático. É evolução.

Tenho a minha, meio devagar, meio sem pretensão. A vida já rasgou tanto meu coração que tô preferindo colocar Super Bonder antes para não decepcionar. Embora eu saiba que decepções são inevitáveis. Embora eu saiba que um dia ou outro, elas virão.

O tempo todo a gente se transforma, evolui. Mudei muito mais dos 25 para os 31 anos que dos 15 aos 20. Principalmente porque comecei a me conscientizar sobre o meu passado, a fazer avaliações dos meus padrões de envolvimento, perceber o quanto me desenvolvi como pessoa por meio de outras pessoas.

Não é facil ter alguém. Não que seja todo ‘mundo no mundo’ que deva casar-se, ter três filhos e uma família Doriana. Aliás, são raras as famílias Dorianas, mas ainda acho que a nossa vida precisa de testemunhas oculares, ouvintes e amantes, precisa ser dividida com alguém que tenha a real vontade de participar daquilo que nem precisaria viver. Não basta relaxar, se deixar envolver. É preciso ter um plano. E ultrapassar alguns obstáculos que a gente insiste em dizer que estão pela vida, mas que se prestarmos bastante atenção, estão dentro da gente.

Doar-se é uma coisa, aceitar tudo o que o outro coloca como verdadeiro é outra. O amor precisa de opinião, tem gênio forte, adora uma diferença. Como todos os sentimentos sufoca em excesso, mas morre se for deixado muito de lado, se não houver o mínimo de cuidado. E cuidar não significa aceitar tudo. Não significa concordar com cada linha, não significa não ter uma briguinha aqui ou ali.

Amores de verdade pensam no seu próprio interesse em prol do interesse alheio. Quem sempre satisfaz o outro não aprendeu a amar, aprendeu a ceder. E demoramos um tempão até perceber que quem dá tudo aquilo que tem, acaba vazio.

(MG)

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Um pensamento sobre “Intervalos

  1. Morri de amores por esse parágrafo: “Amores de verdade pensam no seu próprio interesse em prol do interesse alheio. Quem sempre satisfaz o outro não aprendeu a amar, aprendeu a ceder. E demoramos um tempão até perceber que quem dá tudo aquilo que tem, acaba vazio.”

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